Novas portarias publicadas nesta sexta-feira (25) estabelecem gestores e fiscais técnicos e administrativos dos contratos. Veículos terão tecnologia Eletra, carroceria Caio e plataforma Mercedes-Benz, com configuração para corredores BRT e linhas convencionais
ADAMO BAZANI
A Prefeitura de Belo Horizonte publicou nesta sexta-feira, 25 de setembro de 2026, duas portarias que definem os responsáveis pelo gerenciamento e pela fiscalização dos contratos de aquisição de 96 ônibus elétricos e 27 carregadores destinados ao transporte municipal. Os investimentos contratados somam aproximadamente R$ 313,2 milhões, sendo R$ 307,68 milhões para os veículos e cerca de R$ 5,5 milhões para os equipamentos de recarga e sua instalação. As contratações foram formalizadas anteriormente e já haviam sido noticiadas pelo Diário do Transporte em 22 de setembro.
As novas decisões envolvem a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana, a Sumob e a BHTrans, que terão representantes designados para acompanhar a execução dos contratos. Os ônibus serão fornecidos pela Caio Induscar, com tecnologia e integração da Eletra, carrocerias Caio e plataforma mecânica Mercedes-Benz. Os carregadores serão fornecidos e instalados pela Nansen Instrumentos de Precisão. A Prefeitura pretende incorporar gradualmente os veículos à frota municipal, mas ainda precisa confirmar o cronograma atualizado de entregas, que havia previsto os dez primeiros ônibus para dezembro de 2026.
Prefeitura estabelece quem será responsável pelo contrato de 96 ônibus elétricos
A primeira publicação corresponde à Portaria Conjunta SMMUR/Sumob nº 003/2026.
O documento identifica os servidores responsáveis pela gestão e fiscalização da aquisição dos 96 ônibus elétricos.
O contrato foi firmado com a Caio Induscar e possui valor total de R$ 307.680.000,00.
A vigência contratual prevista é de 20 meses, contados conforme as condições estabelecidas no instrumento.
O superintendente de Mobilidade de Belo Horizonte, Frederico Augusto da Silva, foi designado gestor do contrato.
A fiscalização técnica ficará sob responsabilidade da diretora de Planejamento e Controle da Mobilidade, Gabriela Pereira Lopes.
O gerente de Controle e Vistoria da Frota, Rodrigo Pimenta da Silva, atuará como fiscal técnico substituto.
A fiscalização administrativa será realizada pelo assessor técnico Thiago Tartaglia de Souza, tendo como substituta Jennifer Brito Araújo de Souza, coordenadora de Compras, Contratos e Convênios.
Esses profissionais terão responsabilidades específicas de acompanhamento da execução contratual, conforme suas respectivas designações.
A publicação formaliza a estrutura administrativa de fiscalização do fornecimento. A entrega dos veículos deverá seguir as condições técnicas, os prazos e as demais obrigações estabelecidas no contrato.
Nova frota terá tecnologia Eletra, carrocerias Caio e plataforma Mercedes-Benz
Os 96 veículos contratados serão ônibus de propulsão totalmente elétrica, com configuração do tipo BRT Misto.
O conjunto industrial contratado reúne tecnologia e integração veicular da Eletra, carrocerias Caio e plataforma mecânica Mercedes-Benz.
Conforme já detalhado pelo Diário do Transporte durante o acompanhamento da licitação, o projeto também contempla componentes de tração elétrica fornecidos pela WEG.
A configuração BRT Misto foi escolhida para permitir a utilização dos veículos tanto em corredores estruturados quanto em linhas que utilizam os pontos convencionais de ônibus.
O modelo terá cinco portas, sendo três do lado direito e duas do lado esquerdo.
Essa configuração permite atender diferentes padrões de embarque e desembarque, incluindo plataformas localizadas à esquerda dos veículos.
A especificação técnica prevê ônibus com comprimento entre 12,4 e 14 metros, suspensão pneumática e autonomia superior a 250 quilômetros.
Os veículos terão capacidade para transportar até 71 passageiros, além de ar-condicionado, recursos de acessibilidade e equipamentos de conforto e segurança.
Também estão previstos conexão Wi-Fi e tomadas USB, conforme as especificações divulgadas durante a licitação.
A potência nominal mínima exigida para o sistema de propulsão é de 145 kW, com torque mínimo de 900 Nm nas rodas motrizes.
A capacidade mínima prevista para as baterias é de 337 kWh.
Essas características foram estabelecidas para atender às condições operacionais do transporte coletivo de Belo Horizonte, que incluem diferentes tipos de vias, corredores e regiões com declividades acentuadas.
Contrato prevê garantias para componentes elétricos, baterias e carrocerias
A aquisição dos veículos também estabelece exigências de garantia e assistência técnica.
O edital analisado anteriormente pelo Diário do Transporte prevê garantia básica de dois anos ou 130 mil quilômetros para o chassi.
As baterias de tração e o conjunto de propulsão elétrica possuem exigência de garantia de oito anos ou 600 mil quilômetros, mantendo pelo menos 80% da capacidade total de armazenamento de energia, conforme as condições contratuais.
Os componentes de alta tensão também possuem garantia prevista de oito anos ou 600 mil quilômetros.
Para as carrocerias, a exigência mínima é de dois anos de operação ou 150 mil quilômetros.
Os prazos e as condições de garantia são particularmente relevantes para a manutenção de ônibus elétricos, cujos sistemas de propulsão e armazenamento de energia possuem características diferentes daqueles utilizados nos veículos convencionais a diesel.
Nansen fornecerá 27 carregadores de 160 kW, com duas saídas simultâneas
A segunda portaria publicada nesta sexta-feira estabelece os responsáveis pela fiscalização do contrato com a Nansen Instrumentos de Precisão.
A contratação, de aproximadamente R$ 5,5 milhões, prevê o fornecimento e a instalação de 27 carregadores, além do treinamento dos profissionais responsáveis pela utilização dos equipamentos.
Cada carregador deverá possuir potência de 160 kW e pelo menos duas saídas capazes de realizar recargas simultâneas.
Os equipamentos deverão operar com alimentação trifásica, tensão entre 380 e 480 volts, frequência de 60 Hz e conectores no padrão CCS2.
A tecnologia permitirá que um mesmo carregador atenda dois ônibus simultaneamente, com modulação da potência disponível.
Isso significa que a energia poderá ser distribuída entre as duas saídas conforme as condições de carregamento e a capacidade do equipamento.
A potência total de 160 kW não deve ser confundida com a disponibilização dessa mesma potência integral para cada uma das duas saídas ao mesmo tempo.
Considerando a especificação mínima de dois conectores por equipamento, os 27 carregadores poderão oferecer pelo menos 54 pontos de conexão.
A capacidade efetiva de atendimento simultâneo dependerá das características da instalação elétrica, do gerenciamento da recarga e das condições operacionais de cada garagem ou ponto de abastecimento.
O contrato com a Nansen possui vigência prevista de 18 meses.
BHTrans participará diretamente da fiscalização da infraestrutura de recarga
A Portaria Conjunta SMMUR/Sumob/BHTrans nº 004/2026 determina a participação de profissionais dos três órgãos na fiscalização da contratação dos carregadores.
O gestor será o superintendente de Mobilidade, Frederico Augusto da Silva.
A fiscalização técnica ficará sob responsabilidade de Bruno Maduro Leme de Sousa, técnico em eletrônica da BHTrans.
O fiscal técnico substituto será Silvano Lopes de Souza Júnior, gerente de Semáforos e Programação, também da BHTrans.
A fiscalização administrativa ficará sob responsabilidade de Thiago Tartaglia de Souza, com Jennifer Brito Araújo de Souza como substituta.
A composição da equipe reúne profissionais com responsabilidades técnicas e administrativas para acompanhar a instalação dos equipamentos e a execução dos serviços contratados.
A designação da equipe ocorre no contexto da reorganização das atribuições dos órgãos municipais de mobilidade, estabelecida pela legislação sancionada nesta semana.
Plano prevê 25 carregadores nas garagens e outros dois em áreas públicas
O planejamento apresentado anteriormente pela Prefeitura estabelece que 25 carregadores serão instalados nas garagens das concessionárias responsáveis pela operação dos ônibus municipais.
Outros dois equipamentos estão previstos para áreas públicas.
A distribuição permite combinar o abastecimento dos veículos nas garagens com a possibilidade de realizar recargas em outros pontos da cidade.
A utilização dos equipamentos fora das garagens poderá oferecer alternativas operacionais para os veículos que necessitem recuperar parte da energia durante a prestação dos serviços.
Entretanto, as localizações definitivas dos dois carregadores públicos ainda dependem de confirmação.
A Prefeitura também precisará compatibilizar o cronograma de instalação dos equipamentos com a entrega dos ônibus e as condições de fornecimento de energia elétrica.
O planejamento foi apresentado no momento da abertura da licitação e permanece como referência para a infraestrutura de recarga prevista para a nova frota.
Compra começou com previsão de 100 ônibus, mas contrato foi fechado para 96 unidades
O Diário do Transporte acompanha o processo de aquisição desde a abertura da licitação.
Em abril de 2026, a Prefeitura publicou os editais para a compra de 100 ônibus elétricos e 27 carregadores.
Em 19 de junho, foi homologada a licitação para os veículos, com a Caio Induscar como vencedora e uma proposta global de R$ 320,5 milhões.
Entretanto, o contrato formalizado em setembro passou a contemplar 96 unidades, quatro veículos a menos que a quantidade originalmente prevista.
O valor contratado também foi reduzido, passando para R$ 307,68 milhões.
Segundo a Prefeitura, após a atualização dos valores dos veículos durante o processo de contratação, a quantidade foi ajustada aos recursos financeiros disponíveis.
A redução foi proporcional à quantidade de veículos: o valor médio contratado permaneceu em R$ 3,205 milhões por ônibus.
Os recursos para a aquisição foram assegurados por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC Seleções), do Governo Federal.
Entrega dos primeiros veículos foi inicialmente prevista para dezembro de 2026
Na homologação da licitação, em junho, a Prefeitura informou que os primeiros ônibus elétricos deveriam começar a ser entregues em dezembro de 2026.
Na ocasião, a expectativa era incorporar dez veículos à frota até o encerramento do ano, com a chegada das demais unidades gradualmente até meados de 2027.
O planejamento anunciado posteriormente prevê a aquisição municipal e a cessão dos ônibus em regime de comodato às concessionárias responsáveis pela operação.
Nesse modelo, os veículos pertencem ao poder público, mas ficam à disposição das empresas que prestam os serviços municipais.
A Prefeitura também informou que a incorporação da nova frota dependerá da conclusão das etapas de fabricação, entrega e preparação da infraestrutura.
Após a redução da contratação de 100 para 96 unidades, a administração municipal ainda precisa confirmar se o cronograma anunciado em junho será mantido.
Os prazos de vigência de 20 meses para o contrato dos ônibus e 18 meses para o contrato dos carregadores não significam, necessariamente, que as primeiras entregas ocorrerão apenas ao final desses períodos.
Prefeitura estima redução de 11,8 mil toneladas de CO₂ por ano com eletrificação
Além da renovação tecnológica, a administração municipal relaciona o projeto aos objetivos de redução das emissões de poluentes e dos níveis de ruído produzidos pelo transporte coletivo.
Segundo estimativa divulgada pela Prefeitura, a substituição de ônibus convencionais por veículos elétricos poderá evitar a emissão de aproximadamente 11,8 mil toneladas de dióxido de carbono por ano.
A projeção corresponde ao projeto de eletrificação apresentado pela administração municipal e dependerá das condições efetivas de implantação e operação.
A Prefeitura também destaca a redução dos ruídos e das vibrações, características dos sistemas de propulsão elétrica que podem proporcionar mudanças nas condições de viagem.
Entre 2023 e 2024, a Sumob realizou testes com ônibus elétricos de diferentes fabricantes para avaliar o comportamento dos veículos nas condições operacionais da capital mineira.
Os resultados apresentados pelo município apontaram redução de custos operacionais e melhorias nas condições de conforto.
Com a definição dos gestores e fiscais dos contratos, as próximas etapas envolvem o acompanhamento da fabricação dos veículos, a instalação dos carregadores, o treinamento dos profissionais e a preparação para a incorporação gradual dos ônibus à operação municipal.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes