HISTÓRIA: Ciferal Citmax, um modelo de sucesso que chegou a ultrapassar o Torino da “patroa” Marcopolo

Ônibus que seria a linha “básica” do Grupo agradou pelo design harmônico e soluções mais simplificadas de materiais, sem perder a qualidade

ADAMO BAZANI

Assim como ocorre com qualquer segmento da indústria, há produtos que surpreendem pelo sucesso no mercado, mesmo sendo as “opções mais simplificadas” de suas respectivas marcas e grupos econômicos fabricantes.

Com o setor de ônibus, isso ocorreu, e mais de uma vez.

Um dos exemplos mais icônicos do segmento de urbanos foi o modelo Citmax, da Ciferal.

Obviamente, que nenhuma indústria lança qualquer produto para vender pouco ou ser “um mico”.

Mas, muitas vezes, alguns bens são lançados mais para estratégia de posicionamento de mercado para dar até mesmo uma proteção ou uma abertura de caminho melhor para os produtos que mais receberam investimentos, seja de marketing, de tecnologia e mesmo de design e marca.

O Citmax está inserido num contexto divisor de águas para a encarroçadora Ciferal: em 2003, dois anos depois de a empresa ter se tornado propriedade integral da poderosa gaúcha Marcopolo.

A Ciferal, originalmente (Comércio e Indústria de Ferro e Alumínio), não era mais a empresa fundada no Rio de Janeiro, em 1955, pelo imigrante austríaco  Fritz Weissman, que foi responsável por grandes marcos; entre as quais o inivador para o Brasil Ciferal Dinossauro, modelo rodoviário de duralumínio desenvolvido em conjunto com a Viação Cometa e lançado em 1972 para substituir os ônibus norte-americanos GMDP Coach 4104, chamados de Morubixaba, que se destacaram em linhas de alta relevância, como Rio de Janeiro x São Paulo.

Também não era a “mesma” Ciferal que se destacou no projeto Padron, do Governo Federal em 1975, que qualificou os transportes urbanos, e nem a Ciferal estatal, que foi comprada pelo governo do Rio de Janeiro, na gestão de Leonel Brizola para salvar uma das principais empresas do Estado.

Nada disso.

À esquerda da tela, com o número 65, o Citmax, ao lado de gerações mais atuais do Torino, em Manaus.

Era uma Ciferal “desestatizada”, enxuta, “resgatada” e que agora seria uma empresa dentro de um grande grupo.

Mas o Citmax não foi somente mais um ônibus.

O sucesso de vendas fez com que o modelo superasse no mercado o principal produto do grupo: o Marcopolo Torino (que ainda é produzido – com atualizações de gerações, logicamente, com o passar dos anos).

O modelo foi apresentado ao mercado oficialmente em setembro de 2003. Em julho de 2004, já acumulava seis mil unidades produzidas, um número expressivo para o segmento de ônibus. Em junho de 2005, o Citmax se tornou o ônibus mais vendido do Brasil, na ocasião.

O segredo? Justamente a proposta da Marcopolo para a Ciferal. Não modelos de “segunda linha”, mas com soluções de acabamento da mesma qualidade da “linha premium”, mas simplificadas, com design harmônico, com foco na manutenção e preço de aquisição com valores menores.

Os faróis eram para iluminar, não para enfeitar. Portas, janelas, itens estruturais eram para seus respectivos fins e só. Um sonho para o empresário de ônibus urbano.

Diferentemente do Ciferal Turquesa, modelo anterior de 1999, quando ainda a Marcopolo tinha 50% da empresa e que foi “acusado de ser um Torino modificado”, o Citmax era um Ciferal “raiz”, mesmo já no grupo da gaúcha, isso porque foi um modelo de fato desenvolvido para a marca.

Depois, com o tempo, o Citmax foi perdendo fôlego, mas, mesmo assim despertando muito interesse do mercado.

O modelo foi descontinuado em dezembro de 2013, não por não ter mais futuro, mas por uma decisão estratégica da Marcopolo em focar apenas em sua marca, não usando mais o nome Ciferal nos produtos.

O Citmax cumpriu sua missão, de abrir e fechar uma fase da Ciferal, uma marca que para os mais saudosistas deixa saudades.

Já para quem não se liga muito em modelos, mas tem um olhar atento, ao ver uma foto mais antiga do Citmax, certamente vai lembrar de algo que marcou sua vida, já que o simples e eficiente ônibus rodou em várias cidades brasileiras, enfrentando e atendendo às mais diferentes realidades.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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